O divórcio e a Constelação Familiar como medida terapêutica

O divórcio e a Constelação Familiar como medida terapêutica

Todos os dias milhares de casais se casam. Assim como milhares de casais se separam.

Ninguém se casa para separar.Todos investimos num relacionamento e construímos um projeto de vida pessoal e familiar. Alguns alcançam esse “ideal” de vida a dois, com amor, “jogo de cintura”, renúncia, sabedoria, coragem e mais inúmeras atitudes heróicas pra fazer “a coisa funcionar” e valer a pena, claro. Tem que valer o investimento. É plenamente possível viver um relacionamento saudável, enriquecedor e prazeroso.

Mas alguns casais por inúmeros motivos, não conseguem equilibrar essa balança, perceberam inúmeras incompatibilidades, viveram situações e comportamentos intoleráveis que por fim chegam a conclusão que não dá mais, que ficou insustentável a convivência. Ok. Fim de jogo.

E AGORA? Vcs construíram um casamento…e agora precisam elaborar emocionalmente essa situação e construir um divórcio.

Complicado ? sim. Doloroso? também . Mas a notícia boa no meio desse caos, é que para o bom andamento desse processo ( e digo tanto juridicamente,quanto emocionalmente) depende muito do seu olhar e do que realmente vc deseja para vcs : se um filme de suspense com pitadas de terror ( ao estilo Alfred Hitchcock ) ou… um drama inicial com um final bom ou razoável para ambas as partes.

Se os dois estiverem decididos e dispostos a construir esse desenlace de maneira menos dolorosa possível , madura e equilibrada (o que é muito difícil na maioria dos casos, mas acontece) é certeza de que o impacto emocional desse momento para todos os envolvidos será muito menor, principalmente nos filhos.

Adultos têm de ter atitude de  adultos. Reconhecer sua parcela de contribuição, aceitar-se e assumir sua responsabilidade numa postura madura traz inúmeros benefícios nesse processo de separação. Não é um momento bom …mas vcs podem “amenizar a coisa”. Entende?

Ressalto que a separação é somente do casal e não há o que se falar em separar o pai ou a mãe dos filhos ( salvo nos casos em que a Lei determina , por exemplo : violência doméstica, feminicídio, maus tratos, abuso sexual infantil ). Em casos assim a Lei determina o afastamento do lar do agente agressor, como medida protetiva (para a mãe e que se estende para os filhos ) baseado no princípio da proteção integral á criança/adolescente ou nos casos de disputa pela guarda é observado dentre outros princípios, o melhor interesse do menor e do adolescente.

Mas neste post eu não irei abordar este tipo de situação extrema. Isso é assunto para outro tema.Vamos aqui pensar num divórcio sem nenhuma destas situações descritas acima.

Por exemplo, um casal que se separa por incompatibilidade de gênios, desgaste, perceberam que o relacionamento não é aquilo que queriam ou “sonhavam”, ou simplesmente porque “esfriou” a relação, acabou por si só, deteriorou com o passar do tempo… ou por uma traição. Não importa o motivo: os casais devem se lembrar que quem separa, são os pais. Poupem as crianças de situações desnecessárias e constrangedoras.

Sentimentos de vingança, alienação parental, chantagens, “jogos emocionais” na tentativa de usar os filhos para atingir o outro (a) só trazem desgaste e pioram a relação ainda mais. Todos perdem com esse tipo de atitude, as crianças são as primeiras a serem afetadas… e infelizmente muitas irão carregar consigo marcas profundas na alma pela irresponsabilidade emocional dos pais por não saberem conduzir de maneira madura uma separação.

É necessário se libertar dessa energia negativa. Já basta a situação delicada por si só. Não piorem as coisas. Tenham carinho por vocês mesmos, pelas suas famílias e evitem desgastes desnecessários.

Isso é tão sério que pode adoecer o corpo, porque a alma ficou doente pelo conflito, pela gravidade do desgaste. É só lembrar que tem pessoas que se separam e entram em depressão, síndrome do pânico, partem para vícios (álcool, drogas), perdem emprego, desenvolvem transtornos psicológicos, desenvolvem até doenças graves como o câncer. Algumas perdem tudo, porque perderam o controle de suas vidas, não conseguiram elaborar e lidar com a separação. Não sofra sozinho, busque ajuda.

Do ponto de vista da Constelação Familiar, em síntese, o divórcio deve ser um momento de profunda reflexão, respeito e gratidão. Sim… vc leu 3 palavras que farão toda diferença num processo de divórcio:

REFLEXÃO:

Tudo na nossa vida deve ser entendido, elaborado, compreendido, absorvido. Vc precisa olhar para dentro de si, abrir a consciência, desfazer o papel de vítima da estória (não importa quem errou, se deu errado é porque os dois têm sua parcela de contribuição).

Reflita, se desnude, se olhe no espelho e diga:
“ Não deu certo…ok… mas daqui para frente eu posso fazer diferente, eu posso criar situações positivas para que este momento delicado seja de profundo aprendizado para mim, futuramente eu vou me lembrar deste momento e terei duas opções : posso ter vergonha ou orgulho de mim. Depende de mim. ”

Mentalize e diga :
“Eu vou sorrir novamente para a vida, eu mereço ser feliz, vou me refazer em todos os aspectos, eu posso construir uma nova estória, conhecer alguém que se harmonize comigo… ou posso ficar sozinho e muito feliz também, vou curtir a minha companhia…”

Só de afirmar estas palavras, muitas pessoas já se sentem instantãneamente aliviadas. Imagina o efeito na prática ! Podemos reprogramar nosso estado mental, nosso corpo e nossas células… resignificar nossas experiências e dar um novo rumo á nossa vida. Vc quer, vc pode.

Pense coisas positivas e não perca o equilíbrio. Faça uma viagem em seu mundo interior… e vamos combinar que uma bela viagem prazerosa com bons amigos ajuda e muito ! Lembre-se de se colocar no colo. Cuide de vc.

Reflita também sobre como vai funcionar essa sua nova vida, a logística das coisas, a parte material/financeira da família… vc também tem de se programar. Vcs têm bens juntos (carro, casa, prestações) tem o colégio das crianças, tem o balé, o futebol, aula de piano, enfim… lembre-se que existem contas a pagar e compromissos assumidos que não se “desfazem” com o divórcio. Apenas serão direcionados, mas a responsabilidade como pai e mãe continua.

RESPEITO:

Isso…respeito. Com vc e com o outro, respeito pela estória que construíram, pelas experiências (sejam boas ou ruins) que viveram, os filhos que tiveram, as famílias que se envolveram .E finalmente em respeito aos ciclos que se iniciam e se encerram … encerrem essa estória de maneira respeitosa.Vc não precisa concordar com tudo. Respeite e siga sua vida. O maior beneficiado é você.

GRATIDÃO:

Muito próximo do respeito, mas com um olhar mais pleno, profundo e transformador.

Seja grato a vida por ter te dado a oportunidade de vivenciar um ciclo e aprender com tantas experiências.

Nem tudo foi tragédia e decepção …e seja grato pelas sementes deste relacionamento: seus filhos, seus netos! olha que maravilha poder olhar para eles e curtir tudo de bom que eles te oferecem!

Seja grato pelas duras lições que ele ou ela te ensinaram. TUDO serviu para vc aprender (e vc também ensinou…) aquilo que vc “acha” que foi ruim, foi lição. Algumas pessoas passam pela nossa vida, para nos ensinar a não ser como elas. Quer aprendizado melhor que este?!

Seja altivo, altruísta… seja grande, seja forte. Faça com que todos tenham orgulho de suas atitudes, principalmente vc mesmo. A melhor coisa do mundo é uma consciência tranquila e um travesseiro gostoso. Fique em paz consigo.

Hoje uma tribulação, amanhã um aprendizado.

Fé , amor e gratidão! Sempre.

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